Ninguém ganhou diretamente com Bolsonaro no PSL, só Luciano Bivar.

Finalmente chegou 2018! Significa que teremos dois semestres muito agitados. Depois do carnaval, só falaremos sobre Copa do Mundo (AINDA BEM!!!) e, logo após, as tensões ficarão gigantes porque teremos as temidas eleições presidenciais. Aquela mesmo que gerou um monte de confusão nas redes sociais e conseguiu baixar ainda mais o nível de maturidade e esclarecimento da política brasileira e com consequências graves que serão citadas neste mesmo texto. Janeiro já nos reservou com dois “grandes atos”, o segundo será o julgamento de Lula, e o primeiro é o tratado neste texto: Bolsonaro no PSL.

No fim de dezembro começou um burburinho que Bolsonaro poderia pousar suas ideias de candidatura no PSL, partido que tinha como parte o pessoal do Livres, um grupo de pessoas que buscavam trazer o debate do pensamento liberal à esfera pública. Como bons liberais, o Livres rechaçava qualquer possibilidade de aliança com o militar reformado por ele não compartilhar dos ideais da legenda. No momento imediato pensando no próximo sufrágio, o Livres tomou um tremendo baque e Bolsonaro ganhou a última chance de formar uma base sólida para sua campanha, pois é a quarta mudança de legenda só neste mandato. Resultado? Temos três atores diretos nesta história, como ficou a situação de cada um deles?

Agora parece que Jair conseguiu por um fim na agonia de um palanque presidenciável, correto? É o que tudo indica. As saídas de PSC e PEN possuem razões claras, no primeiro não havia certeza que o partido endossaria a candidatura do Parlamentar do Rio, já o segundo não quis ceder algumas vontades classificadas como estratégicas para sua campanha ocasionando a última debandada. Agora, na teoria, resta ao time de Bolsonaro agira pensando na formação da chapa, alianças partidárias e plano de governo. O PSL é um partido muito pequeno, com um tempo de televisão minúsculo e de membros apenas do baixo clero, nunca teve um representante que desse rosto à legenda assim como Enéas fez junto ao PRONA. Já sobre o plano de governo, apesar de sua base de fãs não aparentar se preocupar com isso, é o que decidirá quem terá coragem de apostar em suas propostas, apresentando-as de maneira formal e direta, não em entrevistas sensacionalistas. Ou seja, é melhor o time Jair pensando…

E a chapa? Daqui saiu o grande “vencedor” do embate. Luciano Bivar, presidente desde sempre do PSL, irrelevante politicamente até em Pernambuco, vai ter o seu nome estampado como vice-presidente de Bolsonaro. Para Jair, não é bom, pois o posto de Vice é sempre altamente disputado pelos partidos que se interessam, é o M do Sabão Omo na hora das negociações. Do nada, alguém que estava apenas ajudando o Livres a ter uma legenda oficial resolveu virar as costas e romper o acordo prévio acertado com os liberais. E o que ele ganha? Simples. Não sejamos hipócritas de achar que Bolsonaro não traz mídia para um partido, isso é indiscutível. Além disso, estamos falando da campanha presidencial, a que mais demanda dinheiro e a chave do cofre do Partido continuará nas mãos de Bivar. Então, analisando todos os cenários, Luciano aparecerá em todos os atos de campanha, poderá ser o Vice-Presidente da República (apesar de não ter nenhuma crença na vitória do lambe-bolas de Ustra) e ainda administrará uma grande quantidade de recursos destinados ao partido.

E o Livres, como fica? Óbvio que eles terão de fazer mudanças radicais de imediato: Fazer parte de novas legendas para 2018 ou repetir o trabalho deste ciclo para os próximos anos de eleição. O mais interessante seria o movimento conseguir eleger seus representantes oficiais, pelo menos nas assembleias legislativas, pois alguns trabalhos feitos em âmbito municipal já foram reconhecidos e isso dá mais força para o grupo, perder o timing atual pode trazer consequências eleitoreiras e isso não é bom. Ao mesmo tempo, os acordos não podem ser mal feitos como foi o caso de Marina Silva e o PSB. Todo o grupo já tem sua própria ideologia bem divulgada e isso não pode ser diminuído em nenhum momento durante a campanha. Porém, a ausência o Livres como legenda é algo ruim para o debate público brasileiro.

Em 2014 vimos uma das campanhas mais baixas da história da política brasileira! Praticamente não tivemos discussão de propostas ou projetos, apenas ataques gratuitos e muitos espetáculos midiáticos fictícios do que foi/seria feito no país. A única candidata que apresentou um plano de governo oficial foi enforcada por um movimento que deveria ser o básico por cada partido, mas não, ele foi usado para severas críticas e muitas mentiras. Resultado? Perdeu. O Livres vinha sendo muito ativo nos seus meios de comunicação e apresentando uma proposta verdadeiramente Liberal, não aquilo que os reacionários gostam de bradar ou a interpretação tendenciosa do militante opositor.  E isso é enriquecedor para o amadurecimento político e o combate à polarização permanecente. Você pode não ser simpatizante nem achar que as ideias de liberdade são soluções eficazes, mas um discurso sério é excelente inclusive para você achar suas brechas e apontar as “falhas”.

Só que uma coisa é certa! Como bem disse Celso Rocha de Barros em sua última coluna: “Ou você é Liberal, ou você apoia Bolsonaro”. O Livres deixou sua posição muito bem clara!

Por José Pereira

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