No espaço ninguém pode ouvir você lamentar

ALIEN: COVENANT

EUA, 122 minutos, 2017.

Direção: Ridley Scott

Roteiro: John Logan, Dante Harper, Jack Paglen e Michael Green.

Elenco: Michael Fassbender, Billy Crudrup, Katherine Waterston, Danny McBride, Demián Bichir, Carmen Ejogo.

A tripulação de uma nave colonizadora chega a um planeta paradisíaco que esconde uma ameaça inimaginável. Agora, a equipe da nave deve fugir para sobreviver. Essa é a sinopse, bem simples, do novo Alien. Dirigido por Ridley Scott, diretor do incrível Alien: O Oitavo Passageiro e do esquecível e péssimo Prometheus, Alien:Covenant tinha como proposta uma volta as origens aterrorizantes do filme de 1978, bem como ser uma sequência de Prometheus. Uma proposta que, infelizmente, não se cumpriu.

O filme opta por um clima tenso e sufocante mas que não funciona, talvez pelo roteiro previsível e cheio de clichês do gênero. Sério, nos primeiros minutos de filme já fica bem óbvio quase todos os desdobramentos da trama. Existe alguma surpresa aqui, outra acolá, mas nada que ajude a história a criar um clima de terror. É um terror que não assusta um suspense que não prende e um filme de ação com poucas cenas de ação.

Um acerto dessa nova empreitada na franquia Alien é voltar a simplicidade dos originais e esquecer a carga filosófica e pretensiosa de seu antecessor, Prometheus. Em Covenant ainda temos uma carga filosófica, como explicação da motivação de um dos personagens, mas ela é pequena e simplória se comparada a de Prometheus.

Ainda falando em acertos, a violência desse novo filme é muito bem-vinda, como os Xenomorfos mais violentos que sua versão original – o filme é até Gore em alguns sentidos e a motivação de alguns personagens que, apesar de simples, explica bem suas ações. A fotografia e o design de produção também são bem interessantes, mas são desperdiçadas por cenas escuras. Em dado momento do filme, dentro de uma nave gigante, é praticamente impossível ver os detalhes do ambiente de tão escura que é a cena.

As atuações estão boas, não comprometendo – mais – o produto final, com destaque para Michael Fassbender. Causa estranheza na escalação do elenco a presença de Danny McBride, ator muito ligado a comédias de gosto duvidoso, no papel do piloto da Covenant.

O grande problema do filme é seu desenvolvimento de personagens nulo, personagens que, teoricamente, são cientistas e militares experientes e inteligentes tendo ações, no mínimo, imbecis. Sim, o grande defeito do roteiro é a BURRICE dos personagens. Um deles, chega a colocar  mão e o rosto perto de um casulo do xenomorfo, sem preocupação nenhuma. Algumas cenas, como uma cena que envolve o personagem de Fassbender tocando flauta, são ou desnecessárias ou se alongam por tempo demais.

Essas cenas alongadas acabam prejudicando o ritmo do filme. O filme, de 122 minutos, dá a impressão de ter mais de duas horas e meia, pois o final dura mais do que deveria. Ainda no final, temos um clima de suspense previsível, mas que, talvez para fugir da previsibilidade tenta, sem sucesso, apontar para outras direções. Existe ainda uma cena de luta, até que bem feita, mas desnecessária.

O saldo final que temos é mais um filme dispensável da franquia Alien, que não honra o que foi construído com os primeiros filmes, que falha em todas as suas tentativas de criar um ambiente aterrorizante e mais uma prova que Ridey Scott perdeu a mão na direção. Quer um bom Alien? Assista o original. Mesmo com quase 40 anos ainda é infinitamente mais competente em assustar do que as entradas mais modernas da franquia.

NOTA: 4,5

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