Mulher Maravilha

MULHER MARAVILHA

Wonder Woman

EUA, 2017

Direção: Patty Jenkins

Roteiro: Allan Heiberg, Zack Snyder, Jason Fuchs

Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, Danny Huston,David Thewlis, Elena Anaya

 

Recentemente essa imagem ganhou visibilidade e chamou atenção. A menininha olhando atentamente para a imagem da Mulher Maravilha, fascinada. Uma imagem poderosa para um filme necessário. Durante muito tempo Hollywood tem hesitado em produzir um filme Blockbuster baseado em quadrinhos com uma protagonista feminina. Mulher –Maravilha não é o primeiro caso – houveram os desastrosos Elektra e Mulher-Gato – mas é o mais significativo. Mesmo aqueles que não são leitores de quadrinhos sabem quem é a Mulher Maravilha. Afinal, ela é parte da Trindade da DC, com Batman e Superman e já teve um seriado de muito sucesso nos anos 70 estrelado por Lynda Carter. Mas, mesmo assim, havia resistência… até a aparição da personagem em Batman V Superman, no qual ela roubou a atenção. Isso bastou para que a Warner desse sinal verde para a produção do filme da guerreira Amazona.

Quem melhor pra dirigir esse filme, tão significativo, do que uma mulher? Então Patty Jenkins, que havia dirigido o ótimo Monster-Desejo Assassino assumiu as rédeas da produção. Essa crítica poderia ser feita da maneira tradicional, apontando os aspectos positivos e negativos da obra, mas tenho a convicção de que existem filmes para se analisar e filmes para se sentir. Mulher-Maravilha se encaixa no segundo tipo. É impossível analisar a obra sem levar em conta seu significado social. A mensagem, nesse caso, transcende a tela. Vi, ouvi e li vários comentários de mulheres elogiando o filme e de como essa obra especifica havia sido importante para elas. Como homem já senti uma sensação especial ao assistir, menos no sentido de representatividade – afinal, sou o público alvo de toda e qualquer produção artística já feita – e mais no sentido de como era bom ver o sentido de heroísmo, bondade e amor sendo transmitido na tela. Noções essas que deveriam ser evocadas pelo Superman, mas, na abordagem de Zack Snyder se perdem por completo. A epítome da bondade, justiça, tolerância, esperança e paz passam, nesse Universo Cinematográfico DC a ser a Mulher Maravilha. É impossível não assistir ao filme sem sentir uma leveza, um clima nostálgico de um bom gibi de super heróis. Mas o que torna o filme importante e, diria, necessário, é a representatividade. Um filme com uma heroína mulher, super poderosa e nem um pouco dependente dos personagens masculinos é, nos dias de hoje, um testemunho palpável do quão imbecil é a mentalidade machista, de superioridade masculina. Não me aprofundarei nesse assunto por não ser meu lugar de fala e para não levantar bandeiras que não devem ser levantadas por mim. Assim como o filme mostrou, é mais hora de ouvirmos a voz das mulheres e não mais as nossas, que sempre fizeram ruído na história.

O filme tem problemas de roteiro? Sim, os vilões são mal desenvolvidos, sendo unidimensionais, o romance se desenvolve muito rápido e há algumas coincidências que incomodam.O CGI é, em certos momentos perceptível, lembrando bonecos de PlayStation 3. Existe um excesso do uso de câmera lenta em certos momentos. Mas, as atuações – com exceção de Danny Huston, caricato ao extremo – são muito boas, com destaque para o carisma de Gal Gadot. Ela domina as cenas em que aparece e a interação com Chris Pine é excelente. O filme tem diálogos poderosos e muito inspirados – como a cena do barco em que Diana diz que “mulheres não precisam de homens para ter prazer” – e transmitem muito bem a mensagem do filme. O ritmo é bom, as lutas são incríveis, a trilha é competente e a direção de arte é soberba. Uma nota sincera para Mulher-Maravilha, levando em conta seus aspectos técnicos seria um 8,5. Não é perfeito, algumas situações são forçadas, os vilões são vazios mas tem mais pontos positivos que negativos e é, de longe, o melhor filme desse universo DC dos cinemas.

Mas, como eu disse, há filmes para se analisar e filmes para se sentir. E, levando em conta o impacto da obra, especialmente no público feminino, seria impossível não dar 10. Não é a toa o fascínio da menina da imagem pela Mulher Maravilha. Uma personagem decidida, independente, poderosa. Uma mulher decidida, independente e poderosa. No mundo nerd, tão cheio de machismos, conservadorismos e preconceitos, é um soco na cara. O mundo não gira em torno de nós, homens. E devemos nos acostumar com isso. Por que a Mulher Maravilha veio pra ficar, com esperança, verdade, justiça, amor e força. E, mais do que nunca, precisamos dessa força para construir uma sociedade melhor.

NOTA: 9,5 (Uma média entre os aspectos técnicos e sociais)

Por Cliff Rodrigo

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