Resenha A Múmia

A MÚMIA

The Mummy

EUA, 2017

Direção: Alex Kurtzman

Roteiro: Jon Spaiths, Alex Kurtzman,Jenny Lumet

Elenco: Tom Cruise, Annabelle Wallis, Sofia Boutella, Russell Crowe, Jake Johnson

Uma tumba com uma antiga princesa egípcia é descoberta e, agora desperta, a múmia tenta trazer um grande mal a terra. Com esse filme a Universal tenta criar o Dark Universe, o universo compartilhado dos monstros clássicos de terror : Dracula, Frankenstein, Lobisomen, etc. Eu escrevi tenta pois é justamente do que se trata aqui: uma tentativa vã e vazia. O roteiro é bem simples, mas a história não se desenvolve de maneira satisfatória. No afã de mostrar o Universo Compartilhado, o roteiro do filme mostra elementos – que vão servir de ligação com os outros filmes- de uma maneira bem apressada e sem sutileza. O personagem de Russell Crowe, por exemplo, apresenta um subplot que não acrescenta em nada ao filme.

A película, com sua 1 hora e 50 de duração parece ser bem maior, haja visto o ritmo problemático do filme. É quase paradoxal pois, ao mesmo tempo em que temos muita informação sendo mostrada, a trama é arrastada, prejudicando o ritmo do filme. Na questão do roteiro, ele deixa pontas soltas a serem exploradas nesse novo universo mas, o defeito que parece afligir outros filmes atuais, apresenta personagens que tomam decisões imbecis, sem falar e situações que forçam a suspensão de descrença ao limite, como um acidente de avião que ocorre no principio do filme e, a despeito do avião se despedaçar em vários pedaços espalhados por quilômetros, os mortos ficam intactos, com todos os membros no lugar. E a motivação de alguns personagens, então, são mais rasas que um pires.

O filme começa com um clima de terror competente, embora abuse de jump scares, cenários escuros e uma trilha – do sempre competente Brian Tyler – que integra o espectador ao filme mas, da metade em diante não se decide sobre ser um filme de ação, terror ou aventura. O personagem de Jake Johnson é tremendamente irritante, falando sempre num tom gritado com voz esganiçada. As cenas de ação são terrivelmente filmadas, sempre com cortes rápidos, câmera tremida e que gira em torno dos personagens. Uma das lutas, no final, é tão mal filmada que é praticamente impossível entender o que está acontecendo.

O diretor, Alex Kurtzman, aqui apenas em seu segundo trabalho entrega uma direção ruim, que mais confunde o espectador do que conta a história. As atuações são sofríveis , com exceção do Tom Cruise, que compõe um Nick Morton canastrão, cafajeste e um tanto canalha. Anabelle Wallis, que interpreta Jenny Halsey é tão inexpressiva que dificulta a empatia do público, Russell Crowe está caricato como o doutor Jekyll e a nova Múmia, Ahmanet, interpretada por  Sofia Boutella não compromete no panorama geral.

O que se pode destacar de positivo é a trilha sonora, os efeitos especiais competentes e a carga de humor, que está bem distribuída. Tem algumas sacadas bem engraçadas durante o filme. E não se pode negar que o filme é minimamente divertido, graças a esse tom mais leve e a atuação de Cruise. Mas o filme não se sustenta, por tudo que foi apontado e, sendo assim, o Dark Universe da Universal começa trôpego e, se seguir nessa toada, fadado ao fracasso. A Múmia de 1932, com Boris Karloff, continua sendo a melhor pedida. Ou, se quer algo aventuresco, revisite a trilogia do Brendan Fraser, que diverte mais que esse.

NOTA: 3,5.

 

Por Cliff Rodrigo

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