Okja faz fortes críticas à indústria alimentícia e também aos que levam uma vida veg

Crítica Okja

Okja
Direção: Joon-Ho Bong
Elenco:Seo-Hyun Ahn, Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Paul Dano, Lily Collins, Steven Yeun, Daniel Henshall, Devon Bostick, Hee-Bong Byun e Giancarlo Esposito
País: Coréia do Sul e EUA

Falar sobre vegetarianismo ou veganismo já é um grande sinal de “treta is coming”, são vários os caminhos que a discussão pode seguir e em Okja muitas das possibilidades são abordadas, nem que seja de uma rápida sequência de poucos segundos e duas frases.

Em 2007 uma empresa comandada por Lucy Mirando (Tida Swinton) cria um programa com 10 anos de duração que promete revolucionar o modo que nos alimentamos. Eles dizem ter descoberto uma espécie de super porco no Chile, sua criação não trará danos ao meio ambiente, renderá muitos quilos de carne e serão saborosos. O primeiro passo deste programa é enviar 26 espécies do animal para lugares diferentes e passado os 10 anos haverá um festival para eleger o melhor super porco. Mija (Seo-Hyun Ahn) vive desde a infância com Okja, uma super porco fêmea, e com seu avô. Com a chegada do festival, Okja é retirada de Mija que parte numa jornada em busca da amiga.

A primeira vista nos apaixonamos pela Okja, a forma como a amizade dela com a Mija é mostrada lembra muito um filme da Disney, diversas sequências na floresta das duas brincando, nadando e pegando comida desperta de imediato uma comoção. Um dos pontos debatidos sobre uma alimentação sem carnes é do sofrimento que os animais passam, de uma lado temos milhares de animais que vivem em espaços minúsculos até a hora do abate e do outro temos animais que vivem soltos, como por exemplo a vida que Okja tem, mas no final todos são mortos para que virem alimentos.

O filme também aborda o modus operandi de grupos contrários ao uso de animais como alimentos ou cobaias, mesmo que em Okja eles fiquem do lado “bom” da força não estão isentos de críticas. Algumas das ações dos ativistas são cômicas, egoístas e até mesmo ineficazes. É possível viver uma vida saudável sem consumir carne, mas seguir um extremo onde não comer nada pois os alimentos são transportados por caminhões poluentes não vai salvar o mundo e só trará malefícios para a saúde. Paul Dano, Steven Yeun e Lily Collins fazem alguns dos ativistas e cada um tem pelo menos uma sequência de relevância referente a esses grupos que defendem os direitos dos animais. A sequência em questão da personagem da Lily Collins possui uma carga dramática muito grande, num ambiente onde ela é a única mulher e todos estão assistindo Okja sofrer diversos tipos de violência ela é a única que demonstra um verdadeiro incômodo com aquilo.

Outro destaque do filme fica por conta da empresa sem escrúpulos que visa apenas o lucro e para isso engana o consumidor sem pestanejar. Mesmo que venha a tona algum podre da empresa, ela se dará bem. Uma frase bem forte dita por uma personagem quando tudo parece ser o fim da empresa é: “As pessoas vão comprar se for barato”. Um choque de realidade para os textões, manifestações e demais ões que teimamos em fazer e que quase sempre não dão em nada, pois as pessoas que irão comprar o produto barato são aquelas que chamaram de “vândalos quebradores de vidraças” as pessoas que tornaram público os podres da empresa. As raízes dessas empresas são extremamente fortes e talvez, somente talvez, depois de um longo período de conscientização das pessoas que será possível acabar com empresas assim. Como a mostrado no filme certas empresas só entendem a linguagem do dinheiro e se o filme tem um final feliz, feliz dentro do possível, foi porque Mija jogou grana na parada.

Jake Gyllenhaal interpretando o Dr. Jhonny Wilcox, um zoólogo com um programa de TV decadente, é o ponto baixo de Okja. Um personagem extremamente afetado que soa muito como um vilão da Disney, porém todo o exagero do personagem o torna cansativo e facilmente descartável, quando ele tem seu momento de crueldade extrema passa a sensação de que Gyllenhaal tinha que ter mais minutos de cena. A personagem da Tida Swinton poderia ter mais destaque como vilã.

Ojka é ótimo filme e mesmo abordando várias vertentes do consumo de carne, Okja não toca num ponto crucial que é o elitismo de uma vida vegana ou vegetariana. Contra argumentar ou ignorar imbecis que idolatram bacon e fazem chistes sem graça sobre não comer carne é fácil, mas quando a crítica ao estilo de vida veg é bem fundamentada fica complicado para os veganos e vegetarianos, grupo qual faço parte, rebater a crítica. Mesmo com as críticas sociais da crueldade da indústria alimentícia e do falso senso de heroísmo dos ativistas pelos direitos dos animais, Okja ainda é um filme de fantasia que foca na amizade. provavelmente se tocasse no elitismo veg perderia essa essência de fantasia.

Quando Mija caminha no meio de um rebanho de super porcos é de partir o coração já que mostra que os outros super porcos sabem do seu destino e se preocupam com o bem estar dos filhotes. Mesmo alfinetando todos os lados, a crítica para a indústria alimentícia é muito maior e obviamente muito mais necessária. Okja é uma representação de como é o mundo, não podemos fazer do mundo um lugar perfeito, mas com uma amizade verdadeira temos forças para suportar as mazelas deste lugar.

 

Por Tissy Moraes

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