Como seria se o Brasil tivesse utilizado o modelo dos EUA nas eleições presidenciais?

As eleições nos EUA sempre geram dúvidas, diferente do Brasil onde o candidato com mais votos válidos sai como vencedor, lá o presidente não é eleito pelo voto direto e por isso o mais votado nem sempre leva o pleito e isto já aconteceu 5 vezes, as mais recentes foram em 2000 onde o republicano George W. Bush fez 50.460.110 votos contra 51.003.926 do democrata Al Gore, neste ano Bush venceu com 271 colégios eleitorais contra 266, e agora em 2016 o republicano Donald Trump fez 60.328.203 contra 60.966.953 da democrata Hillary Clinton, Trump venceu em 290 colégios eleitorais e por isso se elegeu.

É bem confuso para quem não está familiarizado com este modelo, mas vou tentar explicar de um modo bem resumido e simples.

  • Nos EUA temos 538 colégios eleitorais, para ser eleito o candidato precisa atingir 270 desses votos.
  • Cada estado possui um determinado número de colégios eleitorais de acordo com o número populacional. Ou seja, estados mais populosos possui um número maior de votos eleitorais.
  • O candidato mais votado em determinado estado leva os votos eleitorais deste estado.

Agora vamos procurar entender melhor a lógica dos americanos na relação população/número de indicações. Assim nós levantamos as populações estimadas e a quantidade de representantes que o candidato leva por estado nos EUA. Assim, pudemos ter uma ideia exata das porcentagens que cada unidade federativa possui dentro do total das eleições que hoje são 538. Por exemplo, a Califórnia possui 55 votos direitos para presidente e sua população representa 12% do país.

Para transferir os pesos para o Brasil, a conversão foi feita da seguinte forma: Como o total de delegados dos EUA são 538, pegamos o colégio eleitoral do Brasil e dividimos pela população dos EUA (142M dividido por 322M). O resultado é de que o número eleitores registrados no país representa 44% da população americana, assim, pegamos esse número e multiplicamos pela quantidade total do colégio eleitoral dos EUA (538*0,44), indicando que no Brasil somaríamos 238 representantes para escolher o Presidente.

Por fim, fizemos a divisão destes valores proporcionalmente ao número de eleitores registrados segundo o TSE na eleição de 2014, repetindo a lógica usada nos EUA, porém sem criar uma margem de tolerância como acontece na América do Norte para facilitar nossa conta (Por exemplo, oito estados com população entre 500 mil e 945 mil de habitantes representam três votos no colégio eleitoral deles).

O resultado final ficou com esta divisão:

Estados Colégio eleitoral Representantes Porcentagem
AC 507.407 1 0%
AL 1.996.481 3 1%
AM 2.230.020 4 2%
AP 455.990 1 0%
BA 10.185.079 17 7%
CE 6.266.162 10 4%
DF 1.903.050 3 1%
ES 2.658.104 4 2%
GO 4.336.304 7 3%
MA 4.497.869 8 3%
MG 15.237.276 26 11%
MS 1.816.627 3 1%
MT 2.192.298 4 2%
PA 5.195.943 9 4%
PB 2.832.125 5 2%
PE 6.362.532 11 4%
PI 2.346.214 4 2%
PR 7.860.010 13 6%
RJ 12.137.969 20 9%
RN 2.326.152 4 2%
RO 1.128.925 2 1%
RR 299.980 1 0%
RS 8.380.549 14 6%
SC 4.855.645 8 3%
SE 1.454.392 2 1%
SP 32.011.076 54 22%
TO 997.280 2 1%
Total 142.471.459
Número de representantes 238

Sendo assim o Brasil contaria com 238 Colégios Eleitorais, então o número mínimo que candidato precisaria para ser eleito presidente seria de 120 Colégios Eleitorais.

Feito isso, vamos pegar os resultados apenas do segundo turno no Brasil, já que o sistema eleitoral norte americano é praticamente bipartidário.

Eleições Presidenciais Brasileira 2006 no modelo dos EUA

Neste ano no segundo turno Lula teve 60,83% dos votos (58.295.042) e Geraldo Alckmin teve 39,17% (37.543.178).

Eleições presidenciais brasileira de 2006 no modelo dos EUA

Eleições Presidenciais Brasileira 2010 no modelo dos EUA

Em 2010 Dilma Rousseff (PT) fez 56,05% dos votos (55.752.529) contra 43,95% (43.711.388) de José Serra (PSDB).

Eleições Presidenciais Brasileira 2014 no modelo dos EUA

Em 2014 Dilma Rousseff (PT) fez 51,64% dos votos (54.495.915) contra 48,36% (51.038.023) de Aécio Neves (PSDB).

Colaboraram com este post
José Pereira – Cálculos
Tissy Moraes – Pesquisa
Diagramação – Letícia Luz
Ilustração – Thiago Luz

 

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