Quando os clássicos volta à vida – Resenha de Future Quest

Resenha de Future Quest, uma das novas histórias da Hanna-Barbera lançadas pela DC.

Future Quest

Roteiro: Jeff Parker

Arte: Evan Shaner, Steve Rude, Ron Randall, Aaron Lopresti, Jeff Parker, Jonathan Case, Karl Kesel e Craig Rousseau

DC Comics, 2017.

Quando criança eu gostava bastante dos desenhos de aventura da Hanna-Barbera, como Jonny Quest, Space Ghost, Homem–Pássaro e etc. A DC, detentora dos direitos da Hanna-Barbera, resolveu revitalizar esses personagens e lançou uma série de títulos do chamado “Hanna-Barbera Universe”: Flintstons, Scooby Apocalypse, Corrida Maluca e Future Quest.

A ideia de Future Quest surgiu da união do roteirista Jeff Parker e do saudoso  Darwyn Cooke (confira o nosso podcast sobre o Darwyn Cooke) e era bem simples: unir todos os personagens de aventura da Hanna-Barbera em um só título. Para isso, Jeff Parker desenvolveu um roteiro bem parecido com DC: Nova Fronteira, de Darwyn Cooke. Uma criatura alienígena/ extra dimensional se alimenta de planetas e deixa um rastro de destruição por onde passa. A presença dessa criatura cria portais dimensionais, ligando universos e tempos diferentes e, para detê-la, os heróis tem que se unir. Uma premissa bem simples, que encaixa bem com o ritmo aventuresco do título.

O fio condutor da trama é a descoberta dos portais pelo doutor Benton Quest, pai de Jonny Quest (o ‘Quest’ do título). Correndo risco de vida,dois agentes são enviados para protege-lo, sendo um desses agentes o Homem-Pássaro. A partir daí, a trama se desenvolve.

O roteiro de Jeff Parker é bem simples e em duas linhas narrativas, uma envolvendo Jonny Quest e sua turma e desenhada por Evan Shaner e outra na qual são contadas as backstories de personagens como Herculóides, Frankenstein Junior e Homem-Pássaro, desenhada por outros artistas. Algumas passagens parecem deslocadas da trama principal, mas ou são amarradas mais a frente ou contextualiza o cenário que envolve a criatura.

A crítica que pode ser feita referente ao enredo é a presença do Galaxy Trio, que desaparece muito rápido e de um jeito muito idiota na trama, e Frankenstein Junior que parece estar lá apenas para cumprir a cota de heróis. Alguns leitores podem ficar insatisfeitos com o destino dado a Mighthor, o herói pré-histórico de máscara e clava. Mas, no geral a trama é envolvente, tem um ritmo aventuresco que faz com que a leitura seja proveitosa e fluida. O pecado fica na semelhança com Nova Fronteira. Faz parecer que Jeff Parker quis seguir os passos de Darwyn Cooke mas sem ousar.Future Quest fica sendo quase como Nova Fronteira 2.0.

Capa da primeira edição de Future Quest

No que se refere a arte a HQ é muito bem desenhada tanto pelo artista principal, Evan Shaner quanto pelos demais. Não há uma diferença muito grande de estilos, deixando a narrativa visual bem coesa. Shaner opta por um estilo de desenho mais clássico e limpo, remetendo aos anos 60 e, mais uma vez, ao estilo de Darwyn Cooke. O único artista que se diferencia um pouco é Craig Rousseau, responsável pela parte dos Impossíveis e que tem um estilo um pouco mais estilizado.

Future Quest foi finalizada nos EUA com 12 edições que foram publicadas em um encadernado contendo as 6 primeiras edições. Um segundo volume, com o término da série, está programado para Outubro. Não há previsão de publicação no Brasil, mas é possível comprar os encadernados importados por preços razoáveis.

O que se pode dizer é que Future Quest é uma boa história de aventura, com um ritmo rápido e uma arte bonita, cumprindo muito bem a proposta de revitalização dos personagens clássicos para um novo público. Poderia ser mais ousada, trabalhar melhor alguns personagens e não deixar um gancho para as próximas edições (pois é, a trama principal não se concluí no volume 1). É uma leitura recomendada para aqueles que querem um “GIBI” divertido e despretensioso e para quem, como eu, queria matar a saudade dos clássicos da Hanna-Barbera

NOTA: 8

Por Cliff 

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